Butantan e Fiocruz suspendem produção de vacinas contra a Covid-19 por falta de insumos

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Após diversos atrasos e a redução de doses previstas para o maio, a imunização contra a Covid-19 no Brasil enfrenta um novo entrave. As fabricantes das principais vacinas utilizadas no país – CoronaVac e AstraZeneca – anunciaram a suspensão temporária da produção de doses devido à falta de insumos.

Para continuarem, o Instituto Butantan e a Fiocruz dependem da importação de um insumo considerado fundamental: o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA).

Nele, está a substância capaz de produzir o efeito desejado da vacina, pois carrega as tem a informações para o organismo preparar suas defesas contra um micro-organismo invasor, neste caso, a Covid-19.

As duas fabricantes recebem esta matéria-prima da China, que deve enviar para o Brasil ainda durante o mês de maio.

Das mais de 3,7 milhões de doses aplicadas no Rio Grande do Sul, 68% foram feitas com as vacinas da CoronaVac (2.587.467) e 30,7% (1.154.212) com as da AstraZeneca.

Nesta sexta-feira (14), as duas entregaram mais de 5,2 milhões de doses para o Ministério da Saúde, que será distribuído aos estados nos próximos dias.

Confira a situação de cada vacina:

AstraZeneca (Fiocruz)

Em nota enviada à SB Comunicações, a Fiocruz afirmou que conseguirá manter a produção até “meados da próxima semana” com a atual quantia de IFA disponível.

A fundação espera receber no dia 22 e 29 de maio duas remessas de matéria-prima importada da China. Com elas, a fabricante poderá “assegurar” as entregas de AstraZeneca previstas para as três primeiras semanas de junho.

“Até chegada do IFA no dia 22, haverá uma interrupção na produção de alguns dias na próxima semana. Caso haja algum impacto nas entregas, ele será avaliado e comunicado mais à frente. O cronograma de entregas permanece semanal, sempre às sextas-feiras, conforme pactuado com o Ministério da Saúde, seguindo a logística de distribuição definida pela pasta”, explica a fundação em nota.

A Fiocruz afirma que, atualmente, o Centro Tecnológico de Vacinas (CTV) de Bio-Manguinhos, está processando um milhão de doses da vacina por dia, e a instituição segue avaliando alternativas para aumentar ainda mais essa capacidade.

Para esta sexta-feira (14/5), está prevista a entrega de mais 4,1 milhões de doses da AstraZeneca ao Ministério da Saúde, totalizando 34,3 milhões de vacinas disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Conforme a fundação, o valor é equivalente a mais de 40% dos imunizantes contra a Covid-19 disponíveis no país.

CoronaVac (Instituto Butantan)

O Instituto Butantan anunciou nesta sexta a paralisação imediata da produção até a chegada de um novo lote com 10 mil litros de IFA. De acordo com o governo de São Paulo, para o carregamento ser enviado ao brasil, ele precisa ser liberado pelo governo chinês, o que não ocorreu até o momento.

Com os 10 mil litros de insumo, o instituto poderá produzir 18 milhões de doses da CoronaVac.

Em coletiva nesta sexta, o governador João Doria culpou o governo brasileiro pelo atraso da liberação, após ter causado um “entreva diplomático” com a China.

Diante da informação, a SB Comunicações perguntou à Fiocruz se o mesmo problema pode dificultar o envio de mais matéria-prima. No entanto, a fundação não se respondeu ao questionamento.

Com o atraso, o diretor do instituto, Dimas Covas, estima que sejam disponibilizadas apenas cinco milhões de doses de vacina em maio, quando a previsão inicial era de 12 milhões de doses.

Nesta sexta-feira (14), o Instituto Butantan finalizou as entregas do primeiro contrato para fornecimento de vacinas contra a Covid-19 ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Foi disponibilizado 1,1 milhão de doses na data. Somadas, foram entregues 47,2 milhões de doses da vacina CoronaVac, elaborada em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

O contrato previa o fornecimento de 46 milhões de doses da vacina. Desta forma, com a remessa entregue na sexta, já inicia do cumprimento do segundo contrato para a disponibilização de 54 milhões de doses até o final de agosto.

Entrave diplomático

Durante coletiva de imprensa, o governador de São Paulo, João Doria, atribuiu o atraso na liberação do envio do material a um “entrave diplomático” causado por declarações “desastrosas” de autoridades do governo brasileiro em relação à China e à própria vacina.

Relação

Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, garantiu que a relação com a China é prioridade para o governo brasileiro. “Queremos um relacionamento econômico e comercial maior e mais diversificado com a China”, reforçou. 

Cooperação

Em publicação nas redes sociais, a embaixada chinesa no Brasil destacou a cooperação com países em desenvolvimento para o acesso a vacinas e insumos. “A China é o maior fornecedor de vacinas para países em desenvolvimento, oferecendo assistências vacinais a mais de 80 nações em desenvolvimento e exportando o imunizante a uns 50 países. A China continua a honrar seu compromisso de tornar suas vacinas um bem público global”, diz a publicação.

*Com informações da Agência Brasil