Caso Ana Vitória: Polícia Civil de Panambi conclui inquérito e indicia jovem por tentativa de homicídio

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A Polícia Civil de Panambi concluiu na manhã desta sexta-feira (9/7) o inquérito policial que investigava o caso Ana Vitória, a recém-nascida arremessada da janela de um ônibus intermunicipal na Avenida Presidente Kennedy, uma das principais vias urbanas do município, na madrugada do dia 30 de junho.

Horas após o crime, a polícia identificou a responsável pelo crime. Trata-se de Andrieli Balbueno, 20 anos, que mora com a família no interior de Dezesseis de Novembro.

Ela foi interrogada em São Luiz Gonzaga na madrugada do dia 1º de julho e confessou a autoria do crime. Após realizar o trabalho de parto, ele foi até o banheiro do coletivo, colocou a criança dentro da sacola e a arremessou pela janela. Além de afirmar que havia escondido a gravidez da família e não sabia quem era o pai da criança, ela afirmou que não teria condições para criá-la.

Andrieli foi liberada naquele momento por não haver requisitos legais para a sua prisão em flagrante. Porém, horas depois, a polícia colheu informações suficientes para solicitar ao Poder Judiciário a prisão preventiva da jovem, além de um mandado de busca e apreensão.

Os pedidos foram aceitos e cumpridos na tarde do dia 1º de julho e a autora do crime foi presa e encaminhada na mesma noite à Penitenciária Modulada de Ijuí.

Antes de ser levada ao presídio, Andrieli passou por uma perícia no Instituto Médico-Legal de Ijuí, para verificar a possibilidade dela estar com alterações psíquicas em razão de um possível estado puerperal (período que vai do deslocamento e expulsão da placenta em volta do organismo materno às condições anteriores à gravidez, ou seja, decurso do tempo que vai do desprendimento da placenta até o processo de gestação, conforme artigo do JusBrasil, momento em que algumas mães podem tentar contra a vida dos filhos) durante o crime.

Mas a investigação da Polícia Civil não parou após a prisão da jovem: os policiais colheram depoimentos de passageiros do ônibus, do motorista, além de parentes da criminosa.

Conforme o delegado de polícia de Panambi, Gustavo Fleury, os depoimentos apresentaram informações que provam os fatos narrados pela indiciada durante o interrogatório.

Em seu celular, apreendido em sua residência, foram encontrados diálogos com amigos e familiares durante a viagem e no dia seguinte ao fato. Estas conversas, assim como os depoimentos colhidos ao longo da investigação, corroboram a versão dada por Andrieli.

De acordo com a polícia, o laudo pericial de estado puerperal não apontou evidências de que a autora tivesse praticado o crime em razão de alterações físicas ou psíquicas.

As investigações foram concluídas com a constatação de que a jovem tinha plena consciência dos seus atos e que seu propósito na data do crime era o de matar a recém-nascida. Deste modo, ela foi indiciada pela prática de crime de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, por emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

Ana Vitória segue em estado grave

O Hospital Vida & Saúde informou que Ana Vitória segue internada na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal em estado grave, com quadro estável.

Um dos médicos reforçou à assessoria de imprensa que este o processo de recuperação da recém-nascida é “gradual e lento” devido à situação.