Caso Rafael: Perícia descarta que áudio tenha sido criado no celular do pai e contraria versão da defesa

0
58

Foi concluída a análise realizada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) no áudio que esteve no centro do impasse que levou ao cancelamento do júri sobre o assassinato do menino Rafael Mateus Winques, 11 anos. Em março deste ano, a mãe dele, Alexandra Salete Dougokenski, deveria ter sido julgada, em Planalto, mas a defesa abandonou o plenário 11 minutos após o início, por ter um pedido de perícia negado. A análise apontou que a gravação foi encaminhada ao celular do pai.

O pedido da defesa da ré era para que fosse analisado um áudio encontrado no celular do pai do garoto, o agricultor Rodrigo Winques. Na gravação, é possível ouvir uma criança dizendo:

— Sim, ela tá falando com a minha mãe ali.

A data de extração do áudio do celular do pai foi de 15 de maio de 2020, às 20h33. A defesa de Alexandra argumentou que se Rafael estava vivo nessa data e horário não pode ter sido assassinado pela mãe entre a noite e a madrugada anterior, como afirma a denúncia do Ministério Público (MP).

Por isso, a defesa solicitou que fosse realizada perícia para apontar se a voz era ou não do menino Rafael. A juíza Marilene Parizotto Campagna negou este pedido no começo do júri, que acabou cancelado, mas mais tarde decidiu por outra análise no mesmo áudio.

Perícia

Em 15 de maio, a juíza determinou a realização de perícia no arquivo de áudio para apurar se é possível identificar a hora e a data de criação do arquivo e sua origem. O intuito era entender a controvérsia sobre a data de criação — a defesa e MP apresentavam versões diversas — e se isso ocorreu diretamente no celular de Rodrigo ou foi encaminhado ao aparelho dele. Nesta semana, foi juntado ao processo o resultado da análise realizada pelo IGP.

A análise concluiu que “considerando as informações acerca do áudio, somada a nomenclatura do arquivo e sua localização na estrutura de pastas do dispositivo pode-se inferir que o referido arquivo foi encaminhado (e não gerado via gravador de voz do aplicativo WhatsApp)”.

A conclusão da perícia confirma o que acusação sustentava desde a data do primeiro julgamento, de que o áudio não foi criado pelo aparelho do pai. O MP sustenta que essa gravação até pode conter a voz de Rafael, mas que ela foi recebida em razão do desaparecimento do menino, que naquele momento já havia sido registrado pela mãe na Delegacia de Polícia e comunicado ao Conselho Tutelar.

Foram gastos cerca de R$ 160 mil em dinheiro público com o júri.

Com informações da GZH