Cesta básica de Porto Alegre sobe, mas perde posição de mais cara do país, aponta Dieese

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Produtos de primeira necessidade custam R$ 672,39 na Capital do RS, enquanto, em São Paulo, valor é de R$ 673,45. Preços de arroz, feijão e carne bovina recuam em Porto Alegre.

A cesta básica ficou R$ 7,72 mais cara em Porto Alegre de agosto a setembro de 2021, conforme divulgou, nesta quarta-feira (6), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor dos produtos de primeira necessidade variou 1,16%, subindo de R$ 664,67 para R$ 672,39.

Apesar do avanço, a cidade perdeu o posto de capital com a cesta básica mais cara. Entre as 17 praças monitoradas pelo Dieese, São Paulo agora lidera com R$ 673,45. Cinco capitais do Nordeste aparecem com os produtos mais baratos, por menos de R$ 500 no total.

A economista Daniela Sandi, do Dieese, indica que a alta da cesta básica é o dobro da porcentagem da inflação.

“Os alimentos seguem subindo por conta do câmbio e problemas climáticos, além dos impactos da alta dos combustíveis e energia elétrica”, avalia.

Na comparação com setembro de 2020, a cesta básica de Porto Alegre avançou 21,62%. Um porto-alegrense precisa trabalhar 134 horas e 29 minutos por mês apenas para comprar uma cesta básica, que equivale a dois terços do salário mínimo de R$ 1,1 mil.

Como Porto Alegre deixou o posto de capital mais cara, a medição do salário mínimo necessário agora usa São Paulo como parâmetro. O Dieese aponta que, com os custos mensais, os ganhos da população deveriam ser de R$ 5.657,66.

“É necessário e urgente retomar a política de valorização do salário mínimo, sobretudo porque o país segue profundamente desigual e a fome e a miséria aumentam”, sustenta a economista.

Arroz, feijão e bife

Porto Alegre foi a cidade com a maior queda no preço do arroz. O grão ficou 5,79% mais barato na capital gaúcha entre agosto e setembro. No entanto, o Dieese observa que a queda do poder de compra da população reduz a demanda pelo produto.

“A demanda interna, tanto do setor atacadista como do varejista, está fraca, consequência dos altos patamares de preço e da queda no poder de compra da população”, diz a entidade.

Companhia do arroz no prato tradicional brasileiro, o feijão também recuou, ficando 1,05% mais barato na capital gaúcha.

carne bovina foi outro item que apresentou leve redução de preço. A queda de 0,79% foi a terceira maior das capitais mensuradas, atrás apenas de Curitiba (PR) e Florianópolis (SC).

A alta de R$ 7,72 na cesta básica de Porto Alegre foi puxada por outros produtos.

“O consumo de carnes no Brasil vem caindo nos últimos anos. No caso da carne bovina é o menor patamar em 25 anos, conforme dados da Conab. O problema não é a falta de produção. O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e tem mais da metade da população com algum grau de insegurança alimentar. É preciso ter políticas públicas de combate a fome que vão do campo até o prato, garantindo acesso a alimentos saudáveis a população”, considera Daniela.

Fonte: G1 RS