Covid-19: Paciente de Panambi enfrenta dificuldade em conseguir leito de UTI

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Com o número de casos de coronavírus aumentando em toda a região, as internações hospitalares subiram, dificultando o acesso a leitos.

Uma paciente com Covid-19 internada no Hospital de Panambi há cerca de cinco dias necessitou de transferência para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) nesta segunda-feira (23) após seu estado de saúde agravar.

A equipe da casa de saúde iniciou as buscas por leito ainda pela manhã, por volta das 9h. No entanto, logo de cara, percebeu-se a dificuldade para obter.

“A gente tentou leito pelo SUS e particular”, explica o médico Luis Ernesto Viquez Vargas, clínico geral, em entrevista à Rádio Sulbrasileira. “Não foi encontrado nenhuma das opções.”

Foi feito contato com hospitais de todo a região, incluindo Ijuí, Cruz Alta, Santa Maria e Santa Rosa. “Cogitamos até para Bagé e Rio Grande, mas também não haviam leitos”, afirma o doutor. “Um paciente com uma doença extremamente grave ser transportado em uma ambulância por cinco ou seis horas é um risco grande. Mas era o que tínhamos no momento. Era melhor tentar um leito em uma cidade mais longe do que deixar o paciente sem o tratamento adequado.”

Sem sucesso, foi tentado comprar leito particular. Mas, embora o município tenha aprovado a compra, não haviam leitos disponíveis.

Após muitas tentativas, cerca de vinte horas depois, a paciente obteve um leito de UTI no Hospital de Caridade de Ijuí. “Acabou liberando um leito em decorrência de um óbito de um outro paciente. Não era porque havia um leito sobrando, mas porque uma pessoa veio a óbito.”

O médico ressalta que a situação está crítica. “Hoje, se precisar internar um paciente, não tem leito”, afirma. “Este era o caso de uma paciente jovem que pelo menos conseguiu aguentar o quadro clínico dela até ser transferida. Mas isso pode acontecer com qualquer um de nós.”

“A gente fica muito preocupado porque nesse momento temos quatro pacientes internados no hospital de Panambi com Covid-19 e a gente sabe que os pacientes podem piorar a qualquer momento. Eles não seguem uma linha e evoluem das maneiras mais variadas possíveis, que quando pioram, é muito grande”, alerta.

Por isso, o doutor faz um apelo à população. “É o momento de colocar a mão na consciência e tentar, dentro do possível, ficar dentro do possível em casa. A gente sabe que tem uma questão muito econômica para as pessoas, mas, neste momento, é uma coisa extremamente muito importante.”

Ele reforça o uso de máscara fora de casa e evitar as aglomerações. “A gente sabe que precisamos fazer compras. O comércio precisa disso. Mas não precisa ir três ou quatro pessoas juntas da mesma família fazer compras juntos.”