Covid-19: pessoas com menos de 70 anos são maioria na UTI de Panambi

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Três meses após iniciar os trabalhos, no dia 17 de março, a Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital de Panambi atendeu 62 pacientes até o dia 23 de junho. Destes, 38 são homens e 24 são mulheres.

No entanto, os dados compilados e divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde revelam um fator preocupante: os casos mais graves envolvem pacientes mais jovens, com menos de 70 anos.

Percebemos que caiu bastante a média da faixa etária de pacientes em tratamento nas enfermarias e, principalmente, na UTI. Pacientes novos, sem nenhuma doença, que não fazem parte do grupo de risco que era anteriormente divulgado. Hoje, se sabe que esse grupo de risco não existe. Qualquer pessoa pode desenvolver a doença de forma grave, independente de ter uma saúde boa ou não”, alerta o doutor Juliano Loblein, coordenador da UTI, no documentário na Linha de Frente, produzido pela SB Comunicações.

Do total de pessoas atendidas, apenas 12 (ou seja, 19,4%) tinham mais de 70 anos. Os demais, 50 (ou seja, 60,6%), tinham menos.

A maioria dos pacientes, 28 (ou seja, 45%), possuem entre 51 a 70 anos. Destes, 16 são homens e 12 são mulheres.

Em seguida estão as pessoas com idade entre 30 a 40 anos. Ao todo, são 12, 10 homens e 2 mulheres.

Depois está a faixa etária dos 71 a 80 anos. Destes, 7 são homens e 3 mulheres.

No dia 16 de junho, a reportagem esteve na UTI e constatou que, dos quatro pacientes que estavam internados, todos eram homens, com idade entre 37 a 54.

Ao falar sobre a redução da faixa etária na unidade, o coordenador da UTI reforçou a importância da imunização contra a doença.

Aquelas faixas etárias que foram vacinadas não estão mais internando. Quando ocorrem, são casos mais leves“, assegurou. “Pessoas mais jovens estão contraindo a doença porque são as pessoas que mais se expõem e não estão vacinadas ainda. Então a gente pede para que as pessoas se conscientizem.

Mortalidade

Passados mais de três meses desde que a UTI começou a funcionar, 16 pacientes vieram a óbito. Deste modo, a taxa de mortalidade chega a 25,81%. Entre os pacientes que faleceram, 10 eram homens e 6 eram mulheres.

“Gostaríamos, de coração, de salvar todo mundo, mas a gente não vai conseguir. Tem coisas que fogem da medicina e da ciência e a gente acaba ficando frustrado por isso”, lamenta o médico Juliano Loblein, coordenador da UTI. “Temos pessoas jovens falecendo para uma doença extremamente grave, com todo o suporte que elas precisam e mesmo assim não é o suficiente.”

Apesar de alto, o percentual é inferior à média nacional, que atualmente chega a 37,7%. Na rede pública, a taxa sobe para 52,2% e na privada é de 29,6%, conforme os dados da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

Já o número de pacientes transferidos para outras unidades de tratamento intensivo chega a 24, 38,71% do total de internados. Destes, 13 eram homens e 11 mulheres.

Por fim, a quantidade de pessoas que receberam alta chega a 17, ou seja, 27,42%. Ao todo, 9 são homens e 8 mulheres.

Atualmente, há cinco pessoas internadas na UTI, todos são homens. Desde que iniciaram os trabalhos, a unidade esteve quase todos os dias com ocupação máxima de leitos.