Diretora de escola investigada por vídeo de maus-tratos a alunos nega à polícia ter amarrado ou mandado amarrar crianças em banheiro

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Roberta Serme, dona da Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica, na Zona Leste de SP, prestou depoimento na semana passada. Delegacia apura ainda crimes de tortura, periclitação de vida e submissão de crianças a constrangimento.

A diretora da escola infantil particular da Zona Leste de São Paulo, que é investigada pela Polícia Civil por causa de vídeos que mostram maus-tratos a pelo menos quatro alunos, negou em seu depoimento ter amarrado ou mandado amarrar as crianças.

Roberta Regina Rossi Serme, de 40 anos, que é dona da Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica, na Vila Formosa, foi ouvida na semana passada pela Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da 8ª Delegacia Seccional. Além de maus-tratos, a polícia apura os crimes de periclitação de vida, que é colocar a vida e saúde das crianças em risco, submissão de crianças a vexame ou constrangimento e tortura. Roberta disse à polícia que desconhece os vídeos que mostram crianças chorando enquanto estão amarradas, com os braços presos por panos, como se estivessem enroladas e imobilizadas por “camisas de força”.

O advogado André Dias, que representa a escola, confirmou que as crianças que aparecem nas imagens são alunos do local, mas afirmou que a investigação vai demonstrar que a gravação é uma montagem para prejudicar a escola e as proprietárias.

Em seu depoimento, a diretora reconheceu que as imagens das crianças, sentadas em cadeirinhas de bebês, no chão, embaixo de uma pia e próximas à privada foram gravadas no banheiro da Colmeia Mágica. Mas afirmou não saber quem fez a filmagem e nem quem as amarrou. Ela negou ainda que tivesse imobilizado os bebês ou mandado algum funcionário fazer isso.

Mães de crianças, que tinham seus filhos matriculados na Colmeia Mágica, disseram que Roberta convocou uma reunião de emergência com os pais na última sexta-feira (18), quando voltou a negar que tivesse cometido maus-tratos contra as crianças.

Essa ex-funcionária é uma professora, segundo os pais. Professoras ouvidas pela reportagem disseram que a própria diretora amarrava as crianças para elas ficarem quietas. Em outras oportunidades, segundo elas, Roberta obrigava as educadoras e outras funcionárias a fazerem isso.

A declaração de Roberta aos pais foi dada um dia depois de a polícia ter ido a Colmeia Mágica cumprir um mandado judicial de busca e apreensão. Foram recolhidos sete lençóis que teriam sido usados para amarrar os bebês que aparecem nos vídeos. Três celulares, incluídos o da diretora, acabaram apreendidos. Todos os objetos serão periciados.

A professora que teria tirado fotos e feito vídeos com as crianças amarradas já foi ouvida pela polícia. A reportagem não conseguiu apurar, porém, o que ela disse. A investigação ouviu a direção, professores e funcionários e está pegando depoimentos de pais para saber se alguém pode ser responsabilizado pelos maus-tratos contra os bebês.

Mães acusam a diretora da Colmeia Mágica de cometer e estimular os maus-tratos contra as crianças da escolinha. A escolinha já foi envolvida em ao menos outros dois casos que foram parar na polícia.

Em 2010, uma menina de pouco mais de 3 meses de vida morreu após ter sofrido parada cardíaca no berçário. A morte dela foi confirmada pelo hospital para onde a criança foi levada. A polícia investigou o caso como “morte suspeita”. Segundo a mãe da bebê, o inquérito foi arquivado.

Em meados de 2020 o pai de um menino acusou a escola de maus-tratos.

A Colmeia Mágica atende crianças com menos de 1 ano de vida até completar 6 anos de idade, o chamado ensino infantil.

Alguns pais ouvidos pela investigação identificaram seus filhos nos vídeos e disseram que eles e as crianças estão traumatizados. A denúncia chegou há pelo menos duas semanas à delegacia por meio dos vídeos que circulam na internet.

Os portões da Colmeia Mágica chegaram a ser pichados com mensagens de protesto por causa dos vídeos com as crianças. Durante a semana, a direção chegou a cobrir as pichações com tinta escura. Nesta terça-feira (15), no entanto, os pais voltaram a se manifestar em frente ao local levando cartazes para pedir “justiça”.

A escola teria suspendido as aulas nesta semana.

Fonte: G1 São Paulo