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Estelionatário ofereceria vaga em Medicina na Universidade Federal de Santa Maria por R$ 35 mil

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Conquistar uma vaga para Medicina em uma universidade pública, o curso mais concorrido historicamente nos processos seletivos, pode levar anos de esforços, estudos e sacrifícios. Mas se o candidato não ficar atento e se deixar seduzir por ofertas de supostas assessorias aos estudantes na internet, pode custar muito mais caro do que imagina. Nesta semana, foi descoberto um golpe de vendas de falsas vagas utilizando o nome da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Pelo esquema, o candidato ingressaria supostamente na instituição por editais, mediante pagamento, quando na verdade se tratava de um estelionato.

A denúncia foi divulgada em reportagem de ontem do Jornal do Almoço, na RBS TV. A vítima, uma fisioterapeuta de Pelotas, que não quer se identificar, denunciou o esquema após procurar uma empresa de assessoria de editais para tentar ingressar no curso de Medicina de uma universidade pública no Rio Grande do Sul como portadora de diploma. Em um primeiro momento, ela chegou a acreditar que a oferta da empresa era real. Uma pessoa, que se identificava como Marcelo, entrou em contato com a fisioterapeuta por WhatsApp dizendo haver uma vaga disponível na Medicina da UFSM. Ele afirmava, inclusive, que havia apenas uma vaga e que era preciso correr com a documentação para garantir o ingresso na instituição. Para garantir a vaga, o homem pedia R$ 35 mil.

– O valor da vaga é R$ 35 mil. Você vai dar uma entrada e, o restante, após. Vamos supor que a entrada seja R$ 10 mil, aí você paga R$ 25 mil após. Se for R$ 5 mil, você dá R$ 30 mil após. Mas vou ver com eles lá (supostamente na UFSM). Se você quiser, eu vejo com eles qual o valor mínimo que consigo de entrada – diz o golpista em mensagem por WhatsApp.

Em seguida, essa mesma pessoa retorna e diz que haveria a vaga, na tentativa de garantir o pagamento de uma entrada.

Como se tratava de venda da vaga em universidade pública, a fisioterapeuta desconfiou que candidatos estariam sendo beneficiados ou passando à frente de outros. Depois de denunciar o esquema, ela descobriu que se tratava de um estelionato, e que a intenção dos golpistas era iludir as vítimas e subtrair valores que variavam de R$ 10 mil a R$ 35 mil com a promessa de acesso ao curso de Medicina.

– Eu não fui vítima, porque fui buscar um serviço sério, para portador de títulos em editais em vagas remanescentes. Eu queria uma vaga para o Rio Grande do Sul. Me ofereceram uma vaga em Santa Maria, na UFSM, e me pediram uma entrada de R$ 10 mil e disseram que o restante eu dava depois, mais R$ 25 mil. Foi quando ascendeu o sinal de alerta. Eu pensei que se tratava de algo muito grave, por ser uma instituição pública. Depois que fiz a denúncia, descobri que a pessoa que fazia o atendimento por telefone já havia sido presa por golpes semelhantes, foi aí que percebi que não se tratava de uma venda de vaga, mas sim de um estelionato – afirma a fisioterapeuta.

O golpista chegou a passar o contato de uma pessoa, que se chamaria Selma e teria obtido uma vaga em universidade pública para a filha por meio da suposta empresa. Em contato com essa pessoa, a fisioterapeuta foi aconselhada a ver se o tal de Marcelo seria o mesmo com quem ela havia negociado a vaga, pois havia pagado R$ 50 mil.

– Eu não aconselho ninguém a fazer, mas ele deu certo com muito custo – diz a pessoa identificada como Selma.

O golpista pertenceria a uma quadrilha de Goiás, que é investigada pela Polícia Civil daquele Estado por já ter lesado outras pessoas no país em cerca de R$ 500 mil com a falsa promessa de vagas em cursos de universidades públicas.

A SELEÇÃO

Em nota, a assessoria da reitoria da UFSM afirmou que o processo seletivo de estudantes para os cursos de graduação presencial da UFSM, como é o caso do curso de Medicina, é realizado por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), gerenciado pelo governo federal. A inscrição, a seleção e a indicação do ranking são feitos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação. Cabe à UFSM a conferência dos documentos dos selecionados para a matrícula, que é posterior à seleção.

A UFSM recebe a lista de candidatos inscritos com suas notas, informações e posição no ranking. Inclusive, a lista de classificados é divulgada antes no site do Inep/MEC e posteriormente no site da UFSM. Dessa forma, a possibilidade de fraude interna na UFSM é inviabilizada. Qualquer que seja a desconfiança por parte da UFSM em relação ao sistema, é praxe e obrigação da universidade reportá-la à Polícia Federal.

Polícia de Goiás investiga quadrilha que age no país

A Polícia Civil de Goiás investiga vários golpes que teriam gerado um prejuízo de pelo menos meio milhão de reais em vítimas que teriam contratado as falsas empresas. Conforme o delegado Igor Dalmy, trata-se de uma organização criminosa especializada no estelionato de alto valor oferecendo vagas em instituições de ensino.

– As vítimas estão interessadas em transferir seus cursos, geralmente de Medicina de faculdades particulares no Brasil ou no Paraguai, para universidades federais brasileiras que são de alto prestígio. Para isso, essa associação criminosa cria perfis falsos em redes sociais com aparência de empresas legítimas e abre contas bancárias em nomes de laranjas e pedem de R$ 20 mil a até R$ 100 mil por uma vaga. Acontece que essas vagas não existem, porque as universidades federais não fazem processos de transferências, ainda mais de faculdades no Exterior se utilizando de supostas empresas intermediadoras, muito menos cobrando valores exorbitantes. Essas vítimas precisam saber que elas estarão certamente caindo em um golpe – afirma o delegado.

Durante as investigações, a Polícia Civil de Goiás já identificou alguns membros dessa associação criminosa. Seria esse grupo que ofereceu a falsa vaga no curso de Medicina da UFSM.

O delegado conta que os criminosos possuem vários antecedentes criminais. O golpista que se identificou como Marcelo para tentar aplicar o golpe na fisioterapeuta de Pelotas se chamaria, na verdade, Alaor da Cunha Filho. Ele foi preso em Goiás, em 2021, por aplicar o mesmo tipo de golpe.

– Verificamos que eles respondem não apenas pelo crime de estelionato, mas também pelos crimes de fraudes em concursos públicos, lesão corporal, receptação, injúria e até por sequestro e cárcere privado. Tratam-se então de pessoas perigosas e que merecem ser chamadas à Justiça. Já casaram pelo menos R$ 500 mil em prejuízos às vítimas que já atendemos e ainda iremos coletar provas de outras vítimas para responsabilizar os membros da organização e também para as pessoas que forneceram seus dados para a criação e contas bancárias – informa o delegado Dalmy.

A reportagem do Bei entrou em contato com a Polícia Federal (PF) em Santa Maria para para saber se havia investigação sobre o caso envolvendo a Universidade Federal de Santa Maria, mas não havia nenhum registro de ocorrência até a tarde desta terça-feira. A PF informou que assim que chegar alguma denúncia e ela for formalizada, um inquérito será instaurado.

Fonte: RD Foco

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