Exclusivo SB: Deputado Jerônimo fala sobre o fim da vida pública

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O Deputado Federal Jerônimo Goergen (PP), em entrevista exclusiva para a SB Comunicações, falou na sexta-feira (8/10) sobre o fim de sua carreira política.

O anúncio feito na semana retrasada, pelo próprio deputado, gerou muita surpresa, principalmente na região.

Jerônimo Goergen é natural de Palmeira das Missões, porém cresceu no município de Santo Augusto. Formado em Direito pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e Pós-Graduado em Direito Empresarial pela Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUC), Jerônimo foi por duas vezes Deputado Estadual e e está em seu terceiro mandato como Deputado Federal.

Ao ser questionado do motivo que o levou a deixar a vida pública Jerônimo relatou: “são 20 anos de vida pública, são dois mandatos como Deputado Estadual, três mandatos de Deputado Federal. Eu sempre fui um político que trabalhei para que o mandato trouxesse efetivamente resultados para a comunidade. E eu encontro alguns debates políticos nacionais bastante vazio, que não levam o Brasil a lugar nenhum, então esta é uma parte dos motivos”.

Fundo Eleitoral

“Eu sempre fui contra o Fundo Eleitoral. Nós vamos votar o Fundo Eleitoral novo, eu vou votar contra. Teremos deputados com milhões no bolso e eu sem nenhuma estrutura. Não toparia pegar o dinheiro público para fazer campanha e além disso, a vontade de dar um passo adiante. Eu acho que ficar muito tempo na política é ruim para a sociedade, depois vira emprego de político. Tem gente aí que começa a botar o filho, a mãe, a mulher, todo mundo para concorrer. Arrumar carguinho na Assembleia, arrumar carguinho na Câmara Federal, nos Ministérios, nas Secretarias. Eu acho que política não é emprego. Política tem que ser um objetivo”, enfatizou o Deputado Jerônimo.

Jerônimo almejava após esse período como deputado, tanto na esfera estadual quanto na federal, concorrer ao Senado Federal ou ao Governo do Estado. Ele disse: “Eu sempre imaginei que depois de cinco mandatos, na verdade imaginava depois de quatro mandatos… Eu entendi que talvez fosse, na minha leitura, o meu momento de tentar um passo a mais, de concorrer ao Senado, concorrer ao Governo.”

“Eu tenho 45 anos, 20 anos de mandato, antes uns 10 anos trabalhando muito porque a gente não ganha um mandato de uma hora para outra, é um trabalho muito intenso para chegar a ser deputado. Eu avaliei, tenho filha pequena, casualmente fazendo 5 anos nesse final de semana, a gente precisa pensar na vida, e eu refleti e achei que fosse talvez a hora de parar, já que não tenho perspectiva dentro do partido de crescer, trocar de partido eu não vou, fui a vida inteira de um só. Ou eu penso alguma coisa ou vira projeto de poder, e eu nunca tive projeto de poder, nem vaidade. Se os meus companheiros não acham que eu tenha condição de ser representante em outra esfera, então eu chego em uma altura, que achei melhor parar, avisar com antecedência meus eleitores”, relatou Goergen.

Quanto ao seu mandato atual, Jerônimo declara: “Vou cumprir meu mandato até o final com muita dedicação, com muita honradez e com muito orgulho de ter feito o que deu pra fazer ao longo desses anos”.

Porque a vida é artificial, essa vida de político”.

“Eu jamais aceito, 20, 30, 40, 60 anos de mandato, vira emprego das pessoas. Não pode! Mandato é como diz a palavra: mandato! Você me dá uma autorização para te representar por um tempo, por um ciclo. No momento que eu virei dependente de um salário de deputado, começa a dar os erros que lá em Brasília dá.  

As pessoas dizem: “deputado é rico”, não. O salário é fora da média, com certeza, mas não é um salário que você possa tratar como um salário real, porque a vida é artificial, essa vida de político. Então esses caras fazem qualquer coisa errada, e o erro se dá pela permanência, por falta de um projeto, para poder avançar. Eu penso assim, sempre votei contra o fundo eleitoral, vou votar de novo. Eu sei que não é a maioria. Porque o eco foi de uma pessoa com a eleição bem encaminhada, pois acho que me elegeria novamente, abrir mão do poder e isso assustou as pessoas”, declarou o deputado.

Sobre o objetivo

“A minha principal vontade é que esse meu gesto sirva para as pessoas pensarem. Quem faz política não é dono do mandato, não é dono do cargo e não é para sempre. A sociedade cansou de ter políticos pra sempre e isso faz com que ela perca ao final. Nós precisamos ter a renovação e a renovação consciente também, porque na última eleição o que entrou de porcaria lá nessa onda de mudança. E não adianta também ficar colocando mulher, filho, renovação de verdade, gente séria, gente com responsabilidade. E também que esse gesto meu, não seja encarado como repulsa a política. Não! Eu adoro política. Eu queria continuar fazendo. Mas que as pessoas de bem venham fazer política, se não virem, os outros farão. Mas não precisa que eu dure 30 ou 40 anos para ter outras pessoas de bem que venham ocupar o meu lugar,” disse Goergen.