Justiça aceita denúncias e acusado de aplicar golpe do namoro se torna réu por estelionato em Farroupilha e Guaporé

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O homem acusado de aplicar o golpe do namoro contra mulheres na Serra do Rio Grande do Sul foi transformado em réu pela Justiça em dois processos por estelionato que tramitam em Farroupilha e em Guaporé. A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça nesta segunda-feira (27). A denúncia de Farroupilha foi aceita na sexta-feira (24), enquanto a de Guaporé, no dia 20 de junho.

A defesa de Guilherme Selister, de 27 anos, afirma que o réu só irá se manifestar nos autos dos processos. O rapaz responde pelos crimes em liberdade.

No dia 7 de junho, o Ministério Público denunciou o homem por ter enganado uma mulher com quem manteve um relacionamento em Farroupilha. A jovem diz ter perdido cerca de R$ 80 mil para o acusado. Uma semana depois, o MP apresentou uma nova denúncia contra Selister, desta vez em Guaporé, também por estelionato contra uma moça.

Além dos casos de Farroupilha e Guaporé, o réu foi indiciado por estelionato pela polícia em Caxias do Sul, onde o inquérito ainda aguarda análise do MP. Na cidade, ele teria lesado uma mulher em cerca de R$ 60 mil.

Em todos os casos, as histórias se repetiam. Guilherme Selister manteria relacionamentos amorosos com mulheres dizendo ser médico ou profissional de saúde, como nutricionista, além de militar das Forças Armadas. Alegando problemas neurológicos, ele solicitava dinheiro para custear os supostos tratamentos.

Entenda os casos

O primeiro caso envolvendo Selister veio à tona em Farroupilha. No final de janeiro de 2022, ele foi indiciado por estelionato pela Polícia Civil, inquérito que gerou o processo em que o rapaz se tornou réu.

De acordo com a jovem que diz ter sido vítima de golpe, o relacionamento com Selister começou em novembro de 2019 após contato pela internet. O investigado dizia ser tenente da reserva da Marinha e nutricionista de dois hospitais. Contudo, nem os hospitais, nem as Forças Armadas confirmaram o vínculo de Selister com as instituições.

Dizendo sofrer de problemas neurológicos, Selister teria pedido dinheiro à então namorada para custear os procedimentos. O jovem atribuía à Marinha a responsabilidade pela doença e dizia ter processado a corporação. Com a verba de uma eventual indenização, ele quitaria os empréstimos de quase R$ 80 mil, segundo a mulher.

O dinheiro não seria utilizado apenas para gastos com saúde. Foram feitos repasses para a compra de um televisor para o suposto consultório de Selister, o conserto e o aluguel de veículos, a quitação de uma dívida de imóvel, entre outros.

“Jamais imaginei que isso fosse acontecer comigo. Foi muito duro”, diz a jovem.

A mulher, que prefere não ser identificada, só descobriu que se tratava de um golpe quando notou inconsistências nas histórias contadas pelo homem. A suposta judicial ação contra a Marinha apresentava, por exemplo, palavras grafadas incorretamente e ausência de dados processuais.

Em Caxias do Sul, Selister teria se relacionado com uma mulher por 60 dias após conhecê-la em uma academia. No período, ela relatou ter perdido R$ 60 mil para o investigado.

Também em Caxias do Sul, donos de uma academia da cidade também contaram que Selister frequentava gratuitamente o local. O homem dizia participar de uma seleção para ser atleta da Marinha. Nesse período, os empresários relatam ter ajudado o suposto militar na compra de produtos esportivos, de um carro, bem como no aluguel de um imóvel.

“Quando descobrimos, eu falei com ele por mensagem: ‘tu tens noção do estrago emocional e financeiro que tu fez na nossa vida?’, e ele me respondeu: ‘eu gosto muito de vocês, mas estava precisando de dinheiro'”.

Uma outra pessoa também diz ter sido vítima de Selister. Ela, no entanto, não denunciou o caso à polícia. Ao g1, a mulher contou que foi lesada em cerca de R$ 30 mil, além de ter sustentado financeiramente o rapaz durante um relacionamento que durou oito meses em 2017.

“Me afetou bastante psicologicamente e também financeiramente. É difícil confiar nas pessoas”, falou.

Fonte: Clic Noroeste