Mais de 350 municípios gaúchos suspendem aplicação da 2ª dose da CoronaVac

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A falta de vacinas da CoronaVac levou mais de 350 municípios gaúchos – incluindo Panambi – a suspenderem a aplicação da 2ª dose da vacina.

É o que aponta o levantamento do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems/RS), apresentado pelo presidente Maicon Lemos, também titular da Saúde de Canoas, em entrevista exclusiva à SB Comunicações nesta terça-feira (27).

O Cosems estima que o estado necessita de “no mínimo” 270 mil doses da CoronaVac para concluir o esquema vacinal (aplicação das duas doses da vacina) de idosos que foram imunizados com as doses enviadas nas remessas distribuídas entre os dias 20 e 26 de março.

Em Panambi, faltarão 1.087 doses nesta semana e 321 na próxima, de acordo com o secretário municipal da Saúde, Romário Heitor Malheiros.

“Pedimos desculpas à comunidade pelos transtornos causados. Assim que recebermos as doses emitiremos um novo calendário com as novas datas de aplicação de segunda dose”, garantiu.

Incerteza

Os municípios não sabem ao certo quando poderão completar a vacinação contra o Covid-19 nos grupos que receberam a primeira dose da CoronaVac há cerca de um mês.

Um dos fatores que comprometeu a distribuição de mais doses da vacina produzida pelo Instituto Butantan foi a demora da chegada de insumos da China. “Tivemos a informação nesta última semana, emitida pelo próprio Ministério da Saúde, que as vacinas previstas para chegar em abril e maio não serão entregues na totalidade devido à problemas nos insumos necessários para a produção da vacina, entre eles o IFA [Ingrediente Farmacêutico Ativo], importado na sua grande maioria da China“, explica.

Diante deste cenário, o presidente do Cosems acredita que serão necessárias mais de duas remessas para suprir esta falta de vacinas.

O Instituto Butantan apresenta uma produção bastante grande. Porém, a dificuldade de conseguir insumo coloca toda a produção em situação de pouca quantidade para envase. Então, com esse problema no abastecimento da IFA, teremos uma redução na produção em torno de 30%. E isso acaba impossibilitando que todo o quantitativo que o Rio Grande do Sul e os demais estados brasileiros necessitam seja remetido de uma única vez.

Mais doses da vacina fabricada pelo Instituto Butantan chegaram ao estado na manhã desta quinta-feira (29). Porém, a quantidade, 7.200, é muito abaixo das mais de 260 mil doses que estão faltando.

Na remessa anterior, entregue pelo Ministério da Saúde na semana passada, o estado recebeu apenas 50 mil doses da CoronaVac.

Nós precisaríamos ter recebido mais de 200 mil doses para dar continuidade e não ter interrompido a segunda dose“, salienta Lemos.

Orientação

Além das dificuldades na produção da CoronaVac, outro fator que levou à falta de vacinas nos estados e municípios foi a orientação feita pelo Ministério da Saúde em 21 de março. Sob o comando do ex-ministro Eduardo Pazuello, a pasta autorizou que todas as vacinas armazenadas para a segunda dose fossem utilizadas para a aplicação da primeira dose, com a garantia de que não faltariam vacinas.

Todos os 497 municípios gaúchos aplicaram e não reservaram as doses para a segunda aplicação, pois os laboratórios assumiram o compromisso de enviar as doses conforme um calendário apresentado ao Ministério da Saúde. Porém, em virtude da China atrasar a produção dos insumos os nossos laboratórios (Fiocruz e Butantan) não conseguirão atender o compromisso assumido junto ao MS. Consequência, os municípios brasileiros deverão aguardar um nova remessa com previsão primeira semana de maio“, afirma o Secretário Municipal da Saúde, Romário Heitor Malheiros.

Imunidade incompleta

Com a necessidade de garantir a imunização completa contra a Covid-19, o presidente do Cosems reforçou na entrevista ao programa Panorama Geral a importância da população ficar atenta à chegada de mais vacinas da CoronaVac e contatar a Secretaria Municipal da Saúde para realizar a segunda dose.

“Sem fazer as duas doses, não se completa a imunidade. Então, é importante que, mesmo com alguns dias de atraso, o paciente tome a segunda dose”, ressalta.