Não há registros de aplicação de vacinas vencidas em Panambi

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Tabela da 17ª Coordenadoria Regional da Saúde

Não foi constatada nenhuma aplicação de vacina vencida nos vinte municípios da Região Covid de Ijuí (R13) – incluindo Panambi e Condor. A informação foi confirmada pela 17ª Coordenadoria Regional da Saúde após solicitação da SB Comunicações.

Dos oito lotes que supostamente estariam vencidos, dois foram enviados e distribuídos à região: 2.200 vacinas do lote 4120Z005, com vencimento no dia 14 de abril – recebidas e distribuídas no dia 25 de janeiro – e 1.550 do lote CTMAV520, com vencimento no 31 de maio – recebidas e distribuídas no dia 29 de março -.

Destes, 440 vieram para Panambi: 200 da 4120Z005 – informações obtidas pela reportagem dão conta de que foram utilizadas para imunização de trabalhadores da saúde durante o final de janeiro e início de fevereiro – e 240 da CTMAV520 – que, de acordo com informações, foram utilizadas no dia 1º de abril, para imunização de pessoas com 66 anos. Portanto, com base nestas informações apuradas pela reportagem, estes lotes foram utilizados antes da data de vencimento.

Em entrevista à SB Comunicações, o presidente do Conselho de Secretarias Municipais da Saúde do Rio Grande do Sul e vice-presidente do Conselho Nacional de Secretaria Municipais da Saúde, Maicon Lemos, reforçou que todos os municípios estão apurando a data de recebimento destes lotes assim como o dia em que estas vacinas foram aplicadas. Ele também reforça que são mínimas as chances das pessoas terem sido imunizadas com doses vencidas.

“Até o presente momento, a grande maioria aplicou essas vacinas no mês de fevereiro. As vacinas daquele lote tinham validade até 14 de abril. Ou seja, nenhum município ultrapassou esse prazo de aplicação. Aquela afirmação levantada é de uma informação a partir de um erro de registro deste lote no sistema CPNI. Fazendo a analogia, no cenário real do dia-a-dia, os municípios recebem a vacina, aplicam e, por vários períodos, ficaram aguardando a vinda de mais vacinas. Ou seja, não há tempo para que essas vacinas vençam”, assegura.

Os municípios foram orientados pelo Cosems a manter contato com todos os pacientes vacinados com os lotes supostamente vencidos, pedir a carteira de vacinação e conferir a data de aplicação para concluir a investigação.

Apuração

Após a reportagem do jornal Folha de São Paulo, responsável pela denúncia, a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul passou a apurar se a aplicação de vacinas vencidas teriam ocorrido no Rio Grande do Sul. Este trabalho resultou em um relatório com 877 registros de vacinas aplicadas após a data de validade. Esta quantidade representa apenas 0,27% do total das vacinas dos três lotes, com 313.630 doses.

Um balanço parcial, divulgado à SB Comunicações, mostra que pelo menos 506 registros foram em decorrência erros de digitação no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI). Ou seja, mais da metade dos possíveis casos de suposta aplicação de vacinas vencidas foram descartados pela Secretaria Estadual da Saúde.

“A gente acredita que a grande maioria são problemas de registro, ou vinculação de lote errada ou até mesmo de data de aplicação da vacina, que não coincide com a data de registro na caderneta de vacinação. Então, existem vários tipos de inconsistências que estamos observando junto desta investigação realizada”, afirma a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Tani Ranieri, em entrevista exclusiva à SB Comunicações.

Estes problemas foram encontrados em 44 dos 75 municípios que estavam na lista inicial e apresentavam inconsistências. Panambi e os demais municípios da região não estão nesta lista.

“O Estado do Rio Grande do Sul tem uma logística de distribuição muito rápida. Todas as vacinas foram distribuídas até agora com o período de validade estendido. Então a gente acredita que, se houver casos, e pode acontecer, porque erro humano acontece, seria um número muito pequeno, considerando essa avaliação inicial de 877 casos”, destaca.

Entenda

Uma reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo no dia 2 de julho apurou, a partir de registros oficiais do Ministério da Saúde, que pelo menos 26 mil pessoas podem ter sido imunizadas com doses da AstraZeneca fora do prazo de validade em diversos municípios brasileiros.

Dados oficiais davam conta de que este problema teria ocorrido em pelo menos 1.532 cidades de todo o país. No entanto, prefeituras citadas na reportagem negaram que o fato ocorreu e afirmaram que trata-se de um erro de registro no sistema.

Porém, quatro dias após a divulgação da reportagem, o jornal publicou outra matéria, com o seguinte título: “Folha errou ao não afirmar que dados sobre vacinas vencidas poderiam decorrer de falhas do sistema; texto foi alterado“.

O novo texto começava com a seguinte frase: “Reportagem da Folha sobre vacinas vencidas errou ao não deixar claro, em sua primeira versão, que os registros de 26 mil doses aplicadas fora do prazo de validade poderiam decorrer de erros do sistema do Ministério da Saúde“.

Apesar da revisão, a divulgação dos lotes que supostamente estariam vencidos se espalhou pelas redes sociais. Dúvidas a respeito da segurança em relação à imunização contra a Covid-19 também começaram a surgir. Pessoas que foram vacinadas com estas remessas ficaram sem saber o que fazer. E mesmo aqueles que não receberam vacinas destes lotes ficaram preocupados.