Nuvem de poeira da Patagônia alcança o Sul Gaúcho

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Desde a grande erupção vulcânica de 2011 não se observa com tamanha nitidez material do particulado do Sul do continente chegando ao Rio Grande do Sul

A nuvem de poeira que deixou a Patagônia no último domingo chegou ao Rio Grande do Sul no começo desta terça-feira, entretanto dificilmente será percebida e não oferece qualquer risco por não ser densa e estar quase totalmente sobre o mar. As primeiras imagens de satélite do começo da manhã de hoje mostravam com nitidez a presença da poeira sobre o oceano na costa do Uruguai e da região Sul do estado gaúcho.

Em imagens de satélite da manhã de ontem, a nuvem de poeira chegava a ter uma área de 615 mil quilômetros quadrados e se estendia por uma faixa de mais de mil quilômetros que ia de Puerto Madryn, no Norte da Patagônia, até Mar del Plata, na costa da província de Buenos Aires.

Na manhã de hoje, atrás de uma frente fria que estende por uma enorme faixa no Atlântico Sul, de acordo com o cientista da NASA especialista em aerossóis Santiago Gassó, a nuvem de poeira tinha uma área sobre o Atlântico de 1,26 milhão de quilômetros quadrados (mais de quatro vezes a área territorial do Rio Grande do Sul) e estava junto ao Chuí e Santa Vitória do Palmar e a aproximadamente 500 quilômetros a Sudeste de Porto Alegre e 400 quilômetros de Mostardas.

Na prática, as pessoas sequer devem perceber a presença da poeira no céu porque sua maior densidade está sobre o oceano. Parte pequena da nuvem de poeira alcançou o Extremo Sul gaúcho e nesta manhã o céu estava azul. Em Santa Vitória do Palmar, o colaborador da MetSul Leonardo Alves, da Grande 4 Irmãos, notou que para o setor Sul do município, no horizonte, se observa o céu com aspecto mais acinzentado e leitoso, como se tivesse fumaça de queimadas em suspensão, denotando a presença de poeira vinda da Patagônia.

A frente fria que passa pela costa gaúcha vai seguir no sentido Nordeste de forma que a poeira seguirá indo mais para o Norte sobre o mar. O material particulado deve permanecer quase que totalmente sobre o mar e sua concentração deve diminuir cada vez mais, sem efeitos no tempo do Sul do Brasil.

POR QUE ESTA NUVEM DE POEIRA É UM FATO NOTÁVEL?

Mesmo que mal seja percebida pela esmagadora maioria das pessoas no Extremo Sul do Rio Grande do Sul e permaneça praticamente toda ela sobre o mar, esta grande nuvem de poeira é um fato relevante do ponto de vista meteorológico e no monitoramento de dispersão de materiais particulados.

A poeira que avançou sobre o Oceano Atlântico foi possível observar ontem mesmo a partir da câmera voltada para a Terra a bordo da Estação Espacial Internacional, quando a órbita da ISS passou sobre o Rio Grande do Sul e os litorais da Argentina e do Uruguai na tarde de ontem. As imagens foram captadas por Santiago Gassó que monitorava a nuvem e acompanha as imagens da estação espacial.

Fonte: MetSul Meteorologia