Quase metade da população mundial sofre de desequilíbrio nutricional, diz estudo

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Relatório Global de Nutrição, publicado anualmente, mostra, entre outros pontos, que mais de 40% dos adultos têm sobrepeso ou obesidade

Quase metade da população mundial sofre com uma dieta alimentar desequilibrada, seja pelo excesso ou pela falta de alimentos — uma situação que também tem impacto no planeta —, alerta um estudo publicado nesta terça-feira (23).

O Relatório Global de Nutrição (GNR), publicado anualmente, destaca que 48% da população do planeta têm problemas de saúde por excesso de comida, por excesso de alguns componentes em sua dieta habitual — como a carne —, ou por falta de nutrientes. 

No ritmo atual, o mundo não poderá cumprir oito das nove metas de nutrição propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) até 2025, adverte o texto. 

Entre os objetivos, estão reduzir a desnutrição infantil e o atraso no crescimento, assim como a obesidade entre os adultos. 

O relatório calcula que quase 150 milhões de crianças com menos de cinco anos apresentam deficiências de crescimento, mais de 45 milhões estão desnutridas, e quase 40 milhões têm sobrepeso. 

Além disso, mais de 40% dos adultos (2,2 bilhões de pessoas) têm sobrepeso ou obesidade. 

— As mortes previsíveis por causa de dietas desequilibradas cresceram 15% desde 2010 e as dietas desequilibradas são responsáveis por 25% de todas as mortes de adultos na atualidade — declarou a diretora do Grupo de Especialistas Independentes do GNR, Renata Micha, à AFP. 

— As pesquisas mundiais mostram que nossas dietas não melhoraram nos últimos 10 anos e agora representam uma ameaça para todo planeta — explicou. 

A importância da alimentação 

O relatório afirma que as pessoas nos países de baixa renda não comem vegetais e frutas suficientes. Nos países ricos, o problema é o excesso de carne vermelha, laticínios e bebidas açucaradas.

O consumo de alimentos ultraprocessados também aumentou: carnes vermelhas e processadas já representam cinco vezes mais do que a recomendação máxima por semana.

O informe também destaca que os atuais objetivos nutricionais da OMS não mencionam a dieta alimentar, salvo a recomendação para se evitar o excesso de sódio. O GNR calcula que a demanda mundial de alimentos provocou quase 35% das emissões de gases do efeito estufa em 2018.

“Alimentos de origem animal têm uma pegada de carbono por produto mais elevada que a comida de origem vegetal”, explica o texto. O gado é particularmente responsável por esta situação.

O GNR calcula que seria necessário um orçamento anual de US$ 4 bilhões até 2030 para combater a desnutrição, o atraso de crescimento e a anemia maternal, assim como para se cumprir as metas de amamentação.

Fonte: GZH