Uma mensagem de esperança em meio à pandemia

0
66

O fim do ano se aproxima. E com ele, a chegada do Natal, uma das comemorações mais populares e celebradas mundialmente, que marca o nascimento de Jesus Cristo.

“Embora não existam citações bíblicas que sustentem assertivamente a sua data, o dia 25 de dezembro foi adotado como dia da natividade do enviado de Deus”, explica o missionário da Missão Evangélica União Cristã de Panambi, David Michael Pabst. “Apesar desta história já ter sido contada e recontada várias vezes, é muito simples entender a sua importância para o público cristão.”

O significado desta importante data nos enche de esperança, especialmente em um ano como este, marcado pela pandemia do coronavírus.

Ruptura

Não há duvida de que o Natal de 2020 ficará marcado para sempre nas vidas de quem o testemunhou. Com o número de casos e óbitos por de Covid-19 aumentando à cada semana, teremos uma celebração totalmente diferente do que estávamos acostumados.

A pandemia causou uma ruptura sem precedentes em nossa sociedade, mudando o nosso modo de pensar e agir. Na tentativa de frear o contágio da doença, fomos obrigados a adotar o uso de medidas que rapidamente passaram a fazer parte da nossa rotina, desde o isolamento social, máscaras e álcool gel.

Em pouco tempo, vimos as portas dos estabelecimentos de nossa cidade fecharem para evitar que as pessoas circulassem nas ruas. Alguns, inclusive, jamais voltaram a abrir. E o desemprego só foi aumentando.

Veio então o Distanciamento Controlado e a classificação de risco com bandeiras das cores amarelas, laranjas, vermelhas e pretas. À cada semana, ficávamos ansiosos com a divulgação do mapa preliminar nas sextas-feiras e o definitivo nas segundas.

Mas, apesar de todas estas medidas de prevenção necessárias, o número de infectados foi aumentando à medida que o verão se aproximava e as pessoas já estavam saturadas de ficarem trancadas em casa. A consequência não poderia ser outra: hospitais cheios, alta taxa de ocupação de leitos de UTI e as mortes.

No momento em que publicamos este texto, 21 famílias panambienses passarão este Natal em luto com a perda de um ente querido vítima da Covid-19. Outras 11 estarão apreensivas orando por um familiar internado em um dos hospitais região, na esperança que eles possam estarem juntos em breve.

Em meio a este cenário, nossa fé foi colocada à prova, junto com a nossa saúde física e mental. E para que o medo e o desespero não triunfem, é importante refletirmos sobre os textos bíblicos e entender o significado do Natal.

Cristo

O missionário David Pabst conta que, na época precedente à vinda de Jesus, o povo judeu estava esperando pelo messias, o libertador. Isso porque a nação foi subjugada e vivia sob o domínio do império romano. “Seu desejo era que um líder os conduzisse à luta e independência. Este é o motivo do rei Herodes demonstrar medo quando descobriu que um descendente da linhagem real de Davi havia nascido em Belém, conforme é relatado no texto bíblico do livro de Mateus 2.1-3”, afirma.

Ele relata que, a história de Jesus seria diferente de qualquer outra, porque este ciclo de eventos já havia se repetido à exaustão. “O povo de Israel recebia um líder, este líder resgatava o culto à Deus, eles venciam a nação opressora, o líder morria, Israel abandonava o culto à Deus e fazia alianças com povos inimigos, estas nações os conquistavam e novamente eles pediam por um libertador de Deus. Mas o verdadeiro inimigo ainda saia vitorioso, e este não era um representante político ou um partido popular”, detalhe.

Conforme o missionário, o motivo de tantas guerras, matanças, derramamento de lágrimas estava no coração vazio, na alma que anseia encontrar sentido se embriagando com poder, tesouros e conquistas pessoais. “Ao buscar discernir por si próprio, o homem se afastou da fonte do discernimento, é o que diz o livro de Gênesis, e isto abriu o abismo na sua alma que jamais poderia ser preenchido por nada neste mundo.”

E foram nestas condições improváveis, em uma época de fragilidades e desesperança, que nasce um menino com o título de Emanuel: Deus conosco. “Uma estrela aponta para um lugar sem glória, beleza, mas cheio de esperança. Jesus é para os cristãos o libertador, aquele que veio ao mundo para pagar pelos preços dos pecados que a humanidade nunca poderia pagar, e saciar a sede que nada nesta terra poderia suprir”, explica.

O significado do pinheirinho

Na visão de Pabst, se desejamos entender o sentido do natal, basta observarmos o pinheirinho: “Esta árvore geralmente tem na sua estrutura enfeites como bolas de natal, um presépio e uma estrela na ponta. No pinheirinho podemos encontrar uma lição para este ano. Em seu fundamento está o presépio, o centro da fé cristã: certeza de que veio um salvador para acabar com os conflitos entre a humanidade consigo mesma, e os conflitos que temos com Deus. A árvore usada para decoração provém de uma variedade que suporta à altas e baixas temperaturas, e isto representa o novo homem: alguém capaz de sobreviver através dos sofrimentos de catástrofes, de erros alheios, e ainda se manter em pé. Aquele que dá frutos, apesar das condições desfavoráveis (os frutos são representados pelas bolinhas), porque está com os pés firmados e recebendo nutrientes através da fé. A estrela é um sinal de esperança, que mesmo se o solo ao redor da árvore está queimado, destruído, ainda existe algo que a mantém em pé“.

A mensagem

O missionário da Missão Evangélica União Cristã de Panambi, David Michael Pabst, crê que o natal de 2020 tem uma mensagem de esperança para ano que vem:

Não é o tempo que nos determina, nós determinamos o que fazemos com nosso tempo. Nem sempre os planos sairão como esperamos, nossas expectativas serão quebradas, somos humanos. O pinheirinho serve à nós como um exemplo de que em meio à escuridão ainda existe uma luz, e cada um irá colher os frutos de sua fé (seja lá onde ela está plantada).

O desejo dos cristãos é que possam ser um exemplo em meio à tudo isso, que possam colaborar para a reconstrução da dignidade e do amor humano. Que através de seu testemunho demonstrem que não são as guerras que encerram os conflitos da alma, mas a saciedade que encontramos em saber que somos amados e que alguém já pagou pelo preço dos nossos pecados. Não há mais necessidade de lutar, já existe vitória.

Vamos cair, falhar, mas vamos nos levantar, reconstruir. É preciso mais do que intenções, necessitamos de esperança, e disto o natal sempre está cheio. Para o marinheiro sem rumo qualquer vento serve, mas para aqueles que tem seus pés firmados o leme irá conduzir para onde aponta o capitão.

É com esta mensagem de fé e esperança que a equipe da Rádio Sulbrasileira deseja a todos um Feliz Natal. Que todos nós possamos aprender com este momento e evoluir para juntos construirmos um novo amanhã. Unidos, vamos superar esta pandemia.