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Investigados por exploração de trabalho análogo à escravidão controlam rede de empresas de serviços na Serra

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Policiais e fiscais do trabalho que resgataram em Bento Gonçalves centenas de safristas da colheita da uva mantidos numa pousada em condições degradantes, na semana passada, depararam com dois nomes que se repetiam nas queixas dos trabalhadores (quase todos baianos). Um deles é do empresário que contratou eles para atuar nos parreirais: Pedro Augusto Oliveira de Santana, que também é baiano e teria se especializado em providenciar mão de obra barata, formada por conterrâneos, para diversas atividades na serra gaúcha. É chamado pelos nordestinos de “gato” (ou coiote), intermediador de serviços e gente. O outro mencionado é o dono do alojamento onde os homens eram mantidos em condições insalubres (com banho frio, comida ruim e dormitório sujo): Fábio Daros, comerciante conhecido em Bento Gonçalves.

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A reportagem percorreu três municípios serranos onde os dois atuam e descobriu que Santana e Daros têm uma característica em comum: versatilidade. Eles mantêm uma rede de empresas que, em alguns casos, se comunicam (como é o caso da pousada que recebe os migrantes). Daros tem também uma revenda de carros e consta no CNPJ como sócio de Santana numa lotérica, tudo em Bento Gonçalves. Daros nega essa sociedade.

A pousada de Daros é o local preferencial de alojamento para os empregados contratados por Santana para atuarem na Serra. O empresário começou a carreira no Sul, há cerca de 10 anos, intermediando trabalhadores na indústria do abate de aves para descarregar os animais dos caminhões. A sua empresa, a Oliveira e Santana Ltda, foi autuada 20 vezes por más condições de trabalho. Esses carregadores substituem outros migrantes cuja mão de obra barata era disputada anos atrás na região: os haitianos e senegaleses. A maioria voltou para seus países de origem. Com isso, os nordestinos viraram os trabalhadores braçais do momento na Serra, assim como indígenas.

De dois anos para cá, Santana investiu na contratação de safristas da uva, conterrêneos seus da região de Valente (Bahia). Para isso fez uso de uma nova empresa, a Fênix Serviços Administrativos e Apoio à Gestão de Saúde Ltda (flagrada agora por manter trabalhadores em péssimas condições). Ao ser questionado, disse que é apenas administrador da Fênix, não proprietário. Na razão social, a empresa usa o e-mail da esposa de Santana, Daiane Oliveira Santana — o casal não consta como sócio, porém, a empresa tem sede no mesmo local de outras que eles são sócios e proprietários.

Enquanto a Oliveira e Santana atuava o ano todo, a Fênix se especializou em trabalho sazonal, que é o caso da safra da uva. Ambas suprem a escassez de mão de obra na Serra. À reportagem, as vinícolas declararam ter pago valor acima de R$ 6,5 mil/mês por trabalhador, acrescidos de eventuais horas-extras prestadas.

Só que não é isso que os trabalhadores relatam. Em depoimentos ao Ministério do Trabalho e à Polícia Federal, falaram que a promessa era de R$ 3 mil líquidos, banho quente e horas-extras. Em poucos dias depararam com comida rançosa, banho frio, jornadas de trabalho de até 12 horas diárias e endividamento constante para comprar materiais de higiene e alimentos, que eles mesmos tinham de adquirir num mercado indicado pela própria empresa, a preços exorbitantes, porque não lhes foi fornecido nem água para tomar na lavoura. Asseguram ainda terem sido agredidos ao reclamarem das condições de trabalho. Os trabalhadores contaram que eram impedidos de deixar o trabalho em virtude dessas dívidas. E suas famílias que ficaram na Bahia também eram alvo de ameaças.

— Pelo que apuramos na documentação, as vinícolas dizem que pagaram em torno de R$ 6 mil por mês para cada trabalhador, o Santana acertou pagar R$ 2 mil e, no final, eles não receberam nada e se endividaram — resume o gerente do Ministério do Trabalho na Serra gaúcha, Vanius Corte.

Empresas têm os mesmos endereços

A ligação entre a Fênix e a Oliveira e Santana não está apenas no nome dos sócios. As duas empresas têm sede, conforme o CNPJ, no mesmo prédio, no bairro Juventude, em Bento Gonçalves. Num edifício contíguo funcionam outras duas empresas administradas por Santana, na mesma rua: uma prestadora de serviços e uma firma de marketing esportivo. Nesse local, onde deveriam estar essas empresas, fica um templo pentecostal. Contra essas não há registro de irregularidades.

Além das quatro empresas das quais são sócios em Bento Gonçalves, Santana e sua esposa figuram no quadro societário de outras duas empresas situadas no bairro Tamandaré, em Garibaldi: uma fábrica de caixas e embalagens e uma de transportes. No mesmo endereço constam outras duas empresas, que seriam de familiares de ambos, uma de artefatos de madeira e outra, prestadora de serviços. Contra essas também não há registro de irregularidades.

Por fim, Santana e a esposa constam como sócios de uma lotérica na área central de Bento Gonçalves. Desde 2021, o dono da pousada onde foram encontrados safristas contratados por Santana, Fábio Daros, consta como sócio do casal Santana no ponto de venda de loterias. À reportagem, ele negou qualquer sociedade com o casal da Bahia.

Tanto Daros como Santana são investigados, pela Polícia Federal, pelo Ministério do Trabalho e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), por exploração de trabalho análogo à escravidão. Em depoimento no dia em que foi preso e pagou fiança, Santana optou por ficar em silêncio. À reportagem informou que “não tem condições de falar ainda”.

Fonte: GZH

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Amigos resgatam 20 gatos e 1 cão dentro de casa inundada em Canoas, RS

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Amigos resgatam 20 gatos e 1 cão que estavam ilhados em uma casa na cidade de Canoas, no RS. Esse gatinho agarrado na grade pedia socorro. – Foto: reprodução Instagram @rafa.specht

Heróis sem capa agem de novo! Dessa vez, amigos resgatam 20 gatos e um cão que estavam presos em uma casa inundada na cidade de Canoas, após as enchentes do Rio Grande do Sul (RS).

Segundo o empresário curitibano Rafael Specht, um miado do gato chamou atenção dele e do grupo. Quando se aproximaram da residência, viram o bichinho subindo pela grade de uma janela e isso emocionou a todos que estavam na embarcação.

Eles conseguiram entrar no imóvel e então a surpresa veio. No local havia mais 19 gatos – entre eles, um cego – e um cãozinho. Com paciência e esforço os voluntários retiraram todos da casa. Nas redes sociais, os seguidores de Rafael comemoraram o resgate. “Obrigada por tanto”.

Pelos irmãos do Sul  

Rafael  mobilizou um grupo de amigos e eles viajaram de carro para participar das operações de resgate.

Na bagagem, eles levaram 10 barcos com motores e muita boa vontade para ajudar os irmãos do Rio Grande Sul.

Todos atuaram como voluntários de terça-feira (7) a sexta (10) auxiliando pessoas e animais que estavam ilhados.

Resgate emocionante

Quando ouviu o miado, Rafael conseguiu registrar uma cena forte e emocionante. Um dos gatinhos que estavam na casa tentava se agarrar nas grades da janela e sempre acabava caindo na água.

“Meu Deus, gente! Olha o gatinho alí. Coitado”, disse Rafael logo no início do vídeo, que viralizou no Instagram e no TikTok.

Logo o grupo se aproximou do imóvel e se mobilizou para salvar o gatinho. “Ah, mas nós vamos pegar esse branquinho”, disse Rafael, sem saber que resgataria muitas outras vidinhas no local.

Os voluntários improvisaram um colchão para carregar todos os gatos e cachorro. Como a quantidade era grande, eles conseguiram tirar uma caixa d’água que boiava e colocaram todos dentro para então levar na embarcação.

Donos foram encontrados

Os gatos resgatados foram entregues a uma protetora de animais local, que está cuidando deles até que possam ser devolvidos aos donos.

Rafael deixou os seguidores mais tranquilos, ao informar que os donos dos bichinhos também foram encontrados.

“Meu vídeo ganhou muita visibilidade nas redes sociais, e através dele, a sobrinha da dona da casa entrou em contato comigo”, contou.

“Passei o contato para a protetora de animais que acolheu os bichos, e acredito que a dona deles conseguirá recuperá-los. Acho que essa história terá um final feliz”, acrescentou o empresário.

Outro resgate emocionante

Rafael voltou a emocionar os seguidores no dia 10 de maio, ao postar outro resgate de animais, dessa vez uma cadelinha que foi adotada por um grupo de freiras.

No vídeo, ele contou que mobilizou os policiais civis de Canoas e foram até o Centro Educacional Madre Josefa, que ainda estava bem alagado, retirar a cachorrinha Castanha.

O empresário levou a Irmã Laura Isabela Hertz, uma das freiras que trabalha e vive na escola.

No vídeo, Rafael explicou que no dia da evacuação, a Castanha não pôde ser levada e ele fez questão de ir lá retirar a cadelinha.

“A cadela, que é dócil com as religiosas e conhecidos, é braba com pessoas estranhas. Por isso, para evitar que ela se agitasse e pudesse virar o barco durante o resgate das Irmãs, foi necessário deixar a Castanha, com ração e água, na escola do bairro Fátima. Mais uma vez, agradecemos muito a todos os que estão empenhados em salvar pessoas e animais das áreas inundadas”, dizia a publicação.

Missão linda a sua, Rafael! Quanto orgulho! Gratidão!

Fonte: Só notícia boa

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RS: petshop deixou animais morrerem no subsolo e salvou computadores, diz delegada

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Agentes do Ibama, do Comando Ambiental da Brigada Militar e do IGP (Instituto Geral de Perícias) realizaram vistoria no local nesta quinta (23)

O petshop Cobasi, em Porto Alegre (RS), salvou os computadores da loja, enquanto deixou animais no subsolo, quando o local foi afetado pelas enchentes que atingiram o estado gaúcho, segundo a delegada da Polícia Civil do Rio Grande do Sul Samieh Saleh.

“Identificamos que os computadores, CPUs que estavam nos caixas no subsolo foram retirados e colocados no mezanino. Eles tiveram esse cuidado em retirar os eletrônicos, mas os animais ficaram embaixo”, disse.

A evacuação da loja aconteceu no dia 3 de maio, na unidade situada shopping Praia de Belas. Posteriormente, aves, peixes e roedores acabaram morrendo afogados pela enchente que acometeu o local.

Nesta quinta-feira (23), a Polícia Civil do RS, por meio da Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente, juntamente com o Delegacia de Polícia de Proteção ao Meio Ambiente, realizou uma vistoria no local. Durante a vistoria, diversos animais, entre pássaros e roedores, que morreram afogados foram retirados.

Duas unidades da Cobasi são investigadas pela Delegacia do Meio Ambiente, por crime de maus-tratos aos animais.

De acordo com a empresa investigada, a água chegou a alcançar 3,5 metros de altura no interior da loja.

Ainda segundo a delegada, diversas testemunhas foram ouvidas, e há a previsão de outras pessoas sejam ouvidas no decorrer da semana.

O Ibama também aplicou duas notificações à empresa.

A Cobasi explicou que os colaboradores da loja precisaram deixar o ambiente de forma emergencial. Antes de sair, conforme nota enviada à CNN, “os colaboradores da loja tomaram todas as providências para garantir que as aves, pequenos roedores e peixes estivessem em altura segura e alimentados para sua sobrevivência até o retorno dos colaboradores”.

A marca reitera que, naquele momento, não possuíam a dimensão do desastres que atingiria a capital gaúcha.

“Cabe destacar que apenas as 4 CPUs dos checkouts da loja foram levadas ao andar superior, por se encontrarem a 20 centímetros do chão, local que ficava junto aos pés das operadoras de caixa, porém todos os outros equipamentos relacionados aos checkouts permaneceram em suas posições originais”, continua o comunicado.

Por fim, a empresa lamentou o ocorrido e disse que segue colaborando com as autoridades. A Cobasi diz que “irá comprovar todas as informações relatadas acima nos autos.

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Agricultor morre ao ser atingido por raio enquanto trabalhava no norte do RS

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Um homem de 38 anos, identificado como Sidnei Milkiewicz morreu após ser atingido por um raio na tarde de quinta-feira, 23 de maio, na localidade de Sete de Setembro, zona rural de Erval Grande.

Segundo informações preliminares, a vítima teria saído de sua residência para buscar algumas vacas próximo ao local do fato, para que fosse feita a ordenha das mesmas, quando acabou sendo atingido pela descarga elétrica.

Os Bombeiros Voluntários de São Valentim, junto com o Samu e a Brigada Militar de Erval Grande, foram acionados para a ocorrência, mas, ao chegarem ao local, o homem já estava em óbito. A Brigada Militar permaneceu no local até a remoção do corpo.

Fonte: Com informações do Portal GT News

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